Critique Isso!
Tão úteis quanto bicicletas para peixes
Qual é a função de um crítico? De certo não é servir como um indicar que nos ajude a separar o joio do trigo, pois o sucesso de bilheteria dos filmes ditos ruins pelos mesmos indicam que a opinião não apenas de um mas da classe em geral, não têm peso no grande público de cinema.Qual a utilidade de um crítico e não apenas ode cinema, mas o de literatura também já que praticamente sem exceções todo best-seller é taxado por eles de chato, feio e bobo? Qual a utilidade da opinião de alguém cujo gosto está bem distante do público em geral?
E falo como alguém cujo gosto é muito parecido com o dos críticos: eu gosto de Akira Kurosawa, Kubrick, Bergman, etc, sou do tipo chato que conhece até mesmo o nome dos coadjuvantes e fica comparando suas atuações. Ben Stiler, Adam Sandler, Rob Schneider e Jim Carrey para o público em geral são conhecidos tanto coletiva quanto individualmente como “aquele(s) cara(s) engraçado(s)”.
Meu questionamento surge da seguinte reflexão:
Quem são eles, essa meia dúzia de pessoas, que escreve como se pudesse definir os padrões de estética e entretenimento? Eles são inofensivos e não fariam mal nenhum se não chamassem eufemisticamente os espectadores das, para usar termos da críticas, “bombas sem inteligência alguma”, “diversão vazia”, “piadas para doentes mentais” e por aí vai.Eles literalmente xingam o público, a maior parcela dele, e continuam fazendo isso dia após dia.talvez esteja fazendo uma tempestade em um copo d’água, afinal a quem eles dirigem suas críticas são exatamente o tipo de pessoa que não o lê, ficando restrito a uma minoria que vê no “xingamento das massas”, um anseio atendido e sente-se em seu pequeno mundinho, mais superior e seguro de si.
Pensar no cinema?
A segunda parte da minha crítica à crítica vai ao que se refere a um dos mais conhecidos e repetidos clichês da crítica que é repetido por qualquer um que se atreva a escrever sobre filmes , mesmo entre os blogueiros, mostrando que muitos deles não se libertaram deste paradigma estúpido e fútil: o velho “se não quiser pensar veja esse filme”, “não é um filme para se pensar muito”, na maior parte das vezes é citado pejorativamente em outras, como todo bom seguidor do pós-modernismo, isso é tratado como a “qualidade do filme” pois o consenso a trata como defeito.
Que filme é necessário pensar? Por mais intrigado que seja o filme, se no momento que você parasse para pensar, isso não prejudicaria o restante da ação (desculpe o termo, filmes que fazem pensar não têm ação ou ela é mínima), filmes podem provocar reflexões a posteriori: nos chocamos com o Holocausto ou o genocídio em Rwanda, refletimos se apagaríamos alguém de nossa memória e por aí vai, mas pensar? Acho saudável uma boa reflexão ou tentar o entendimento de pistas, segredos e dúvidas lançadas pelo filme (Donnie Darko é um exemplo), mas pensar é realmente necessário em uma sala de cinema, ou além, é desejável?
Bazin sobre o cinema em “Waking Life”:
O cinema trata, essencialmente da reprodução da realidade, ou seja,a realidade é reproduzida.Para ele, não é um meio de contar histórias.Ele acha que o filme… Que a literatura é melhor para contar histórias.Como quando se conta uma piada: “Um sujeito entra em um bar e vê um anão.” Isso funciona. Imagina-se um sujeito e um anão em um bar. É imaginativo.Mas num filme, filma-se um sujeito específico em um bar específico e um anão específico, que tem uma certa aparência. Para Bazin, a ontologia do filme relaciona-se com o que faz a fotografia com a diferença de acrescentar o tempo e um maior realismo.
Trata-se então daquele sujeito, naquele momento, naquele espaço.E Bazin é um cristão, então ele acredita em Deus, obviamente,e que tudo…Para ele, Deus e a realidade são o mesmo. Então, o que o filme capta é,na verdade, Deus encarnado, criando e, neste exato momento, Deus estaria se manifestando O que o filme capturaria o aqui e agora…Seria Deus nesta mesa, como você, como eu. Deus olhando como nós e dizendo e pensando o que pensamos,pois somos todos Deus manifestando-se.O filme, então, é um registro de Deus,ou do rosto sempre mutante de Deus.
E olha que citei “Waking Life”, que poderia ser considerado o supra sumo do cinema para se pensar, e não, não é. Antes de tudo um filme com muito texto mas o que ele transmite encontra-se mais no encadeamento das cenas do que em todos aqueles diálogos que mais parecem querer nos tirar o foco do que está acontecendo.Melhores cenas do filme: Ele flutuando, a confusão dos números digitais…Todas sem a necessidade de fala, de pensamento.
Foi Schopenhauer que disse que ler era pensar com a cabeça dos outros; Assistir cinema é imaginar com a imaginação alheia. O pensamento racional não é apenas esquivado como indesejado.
E agora, José?
A solução para a “crise da crítica”? Blogs. Se você lê algum blog com certa regularidade, com certeza conhece os gostos, o pensamento do blogueiro e isso lhe permite saber o quão próximo o gosto dele é do seu.Blogs são uma das ferramentas mais democráticas e permitem até o público médio se manifestar, encontre os seus pares e troque informações culturais, o monopólio de um sujeito cujos gostos é igual ao de mais 30 pessoas no país é declaro morto.
Quantos Oscars você têm?

